segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Como o casamento misto enfraquece a igreja e transgride a aliança de Deus


No livro de Esdras, depois de se cumprirem setenta anos em que o povo de Israel esteve cativo na Babilônia, este povo voltou para Jerusalém e ali, logo depois de sua chegada (458 a.C.), Esdras teve de lidar com o problema de casamentos mistos. Não somente as pessoas da comunidade restaurada estavam se casando com mulheres estrangeiras, mas inclusive sacerdotes e levitas haviam profanado a comunidade da aliança ao se casarem com mulheres de grupos dos arredores e haviam adotado suas práticas de adoração (abominações) (Ed 9:1,2). Esdras reagiu com tristeza e humilhação própria diante desses casamentos mistos e práticas infiéis de adoração[1].

Um homem chamado Secanias liderou a confissão dos pecados e propôs que o povo da aliança diante de Deus mandasse embora as esposas estrangeiras (Ed 10:2). A desobediência à convocação resultaria na perda de suas propriedades (Ed 10:8). O povo confessou seus pecados, e sem exceção, todos concordaram em mandar embora suas esposas não-israelitas (10:12-17).

O povo da comunidade restaurada de Jerusalém sabia e compreendia o que era uma aliança (10:3). Sabiam que por meio dos casamentos mistos rompia-se a aliança que o Deus Yahweh havia feito com eles. Deus havia declarado através de Moisés sobre casamentos ilícitos (Dt 7:1-4).

Este povo sabia muito bem sobre a tragédia que havia sobrevindo a Israel por causa dos casamentos ilícitos de Salomão com mulheres estrangeiras (1 Rs 11:1-8). Esta paixão de Salomão por estas mulheres estrangeiras o levaram a adorar falsos deuses como Astote e Moloque. Moloque para quem não sabe, é o deus a quem o povo oferecia seus filhos para serem sacrificados de forma cruel, eles eram queimados vivos. Este é o deus que Salomão passou adorar.

A aliança de Deus foi quebrada com a realização destes casamentos mistos. A lei moral de Deus aplica-se em todas as eras. As circunstâncias, porém, podem exigir aplicações específicas variadas da lei pactual.

No Novo Testamento Paulo deixou claro que deveria evitar-se dividir o jugo com um descrente. Contudo, pelo casamento, um cônjuge descrente seria santificado, porém não salvo (1 Co 7:14). Mas este texto refere-se a pessoas que venham converter-se depois que já estão casadas, ou seja, quem procura um descrente para se casar demonstra que não se importa em temer a Deus. Até porque o próprio apóstolo diz não haver comunhão com luz e trevas (2 Co 6:14-18).

Se o cônjuge incrédulo insistir em deixar o lar, o cristão não deve detê-lo, pois Deus deseja que haja paz e não há garantia nenhuma de que o cônjuge incrédulo será salvo ( 1Co 7:15,16). Existe somente dois motivos legítimos para o divórcio citados no Novo Testamento:
  1.  Adultério ou infidelidade a imoralidade sexual (Mt 5:32; 19:9)
  2. Abandono pelo cônjuge incrédulo (1 Co 7:11-15)
Nestes dois casos, também é legítimo novo casamento, conforme Confissão de Fé de Westminster, IPB e do ponto de vista da maioria dos evangélicos como John MacArthur, John Stott entre outros. O divórcio por qualquer outro motivo não é legítimo[2].

É possível que os casamentos mistos tivessem um papel importante nos planos de Satanás. Fica bastante evidente que o povo havia perdido a consciência da antítese (Gn 3:15) estabelecida por Deus entre Satanás e a semente da mulher.

Existe uma guerra entre o reino de Deus e o reino parasita de Satanás. E aqueles que não tem consciência do fato de que há uma batalha, provavelmente serão enganados. Em uma guerra, quem não percebe que está envolvido no conflito se torna vítima dele em pouco tempo, pois não se protege de forma apropriada. O fato é que muitas pessoas, inclusive cristãos, não reconheceram que existe uma batalha espiritual, isto é uma realidade.

O casamento é a unidade mais básica da sociedade humana, e é da família que se desenvolve a cultura, a sociedade e a igreja. A maneira mais fácil de se enfraquecer uma igreja, é enfraquecendo suas famílias, através de casamentos que não glorificam a Deus.



[1] GERARD, V. Groningem. Criação e Consumação: O Reino, a Aliança e o Mediador. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 500-505, 2 v.
[2] KOSTEMBERGER, Andreas; JONES, David. Deus, Casamento e Família: Reconstruindo o Fundamento Bíblico. São Paulo: Vida Nova, 2011, p.248-249.

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