quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Pequenos sinais da graça de Deus: O portão e o balde de água.


Duas experiências com minha família que revelaram minha idolatria ao conforto e meu egoísmo.

Quem não gostaria de chegar em casa e encontrar tudo em ordem? Esta semana ao chegar em casa depois do trabalho, ouvi minha esposa dizer que o reparo hidráulico do banheiro estava com defeito, não parava de vazar água e por isso teve de fechar o registro. Como consequência entrou ar no encanamento e não havia uma torneira na casa que saísse água, somente uma do lado de fora.  Naquele momento, eu só queria lavar minhas mãos para poder comer e descansar. Enquanto minha esposa falava dos problemas meu filho falava ao mesmo tempo muito eufórico pedindo para assistir um desenho no meu notebook (e eu havia prometido que ele iria assistir), e foi aí que eu gritei com meu filho, e ele saiu chorando para o seu quarto. Depois de alguns minutos fui ao seu quarto e pedi perdão para ele, disse que havia gritado com ele, e respondeu que sim (que me perdoava).

Lembro da passagem bíblica em que Moisés falou sem refletir por causa da rebeldia dos Israelitas e como consequência foi castigado por Deus por não ter confiado nele e santificado o seu nome, e por isso não pode entrar em Canaã (Sl 106:32,33; Nm 20:10-12).

Outra experiência foi quando eu e minha família chegamos em casa e depois de guardar o carro na garagem, minha esposa subiu para dentro da casa e me deixou sozinho com as crianças na garagem. Eu não gostei da sua atitude, e por causa disso tirei o meu filho mais novo da cadeirinha do carro e deixei que ele fosse sozinho até o portão. Como consequência, ele fechou o portão em seu dedo e lascou toda sua unha e caiu. Este foi o contexto em que meu coração ativo e obstinado se expressou punindo minha esposa, responsabilizando-a por não ter ficado comigo e me ajudado a levar as coisas do carro com as crianças para dentro da casa, e por causa do meu egoísmo meu filho sofreu as consequências. Depois de alguns minutos pedi perdão para minha esposa por ter sido orgulhoso e egoísta naquele momento, ao invés de chamá-la para me ajudar, eu tentei punir sua atitude usando meu filho. Pensei, quantas coisas meus filhos podem sofrer por causa do meu egoísmo e orgulho. Orei com ela eu com meu filho, pedi perdão para Deus e para ele também, e pedi para Deus me ajudar a amá-los.

Muitas vezes deixo de amar uma pessoa quando, sabendo que posso “arrumar problemas” ao dizer algo que sei que ela precisa ouvir, prefiro ficar calado por amar mais meu conforto, ou quando ajo punindo uma pessoa que causou meu desconforto.

Os problemas externos não causam nossos erros ou pecados, sofremos do lado de fora por causa do mal que existe dentro de nós (Tg 4:1-3). Os sofrimentos, as pessoas, o diabo ou Deus não produzem nossos pecados. Estas experiências servem para nos oferecer um contexto onde o nosso coração ativo e obstinado se revela e se expressa. A tendência de cair em tentações ou falhar em provações não surge de causas externas, mas de dentro de nós.

Resumindo, “um verdadeiro lar cristão é um lugar onde vivem pecadores; mas é, também, um lugar onde as pessoas admitem esse fato, compreendem o problema, sabem qual é a solução e, como resultado, crescem na graça” (Jay Adams; A vida Cristã no Lar, p.12).

O fato é que quando endurecemos nosso coração por causa do nosso orgulho, não admitimos nossos pecados. Não procuramos a solução em Cristo e deixamos de crescer na graça.

Preferimos deixar o portão bater e machucar as pessoas que mais precisam de nós simplesmente para ter a oportunidade de punir e culpar outros pelos nossos erros.
Preferimos carregar baldes de água que dá muito mais trabalho para limpar toda a sujeira da casa, quando poderíamos desfrutar de um encanamento sem defeitos que pode fornecer “água viva” em todos os cômodos da casa, exatamente por não saber lidar com o desconforto e por amar demais o conforto. 

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