quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Como podemos defraudar a nós mesmos com as bênçãos de Deus?


O que significa o termo “defraudar a nós mesmos do devido uso e conforto da posição em que Deus nos colocou”, referente a pergunta 142 do Catecismo Maior de Westminster, onde fala sobre os pecados proibidos no oitavo mandamento, “Não furtarás”?

Defraudar alguém significa abusar dessa pessoa, aproveitando-se de sua fraqueza, ingenuidade ou posição de inferioridade. Não é difícil imaginar situações desse tipo na esfera religiosa, governamental e familiar. Mas, o que seria então defraudar a nós mesmos? De que maneira podemos furtar ou negligenciar nossos deveres para com Deus e com o próximo com aquilo que o próprio Deus nos abençoou através dos nossos pedidos de oração?

Quero dar alguns exemplos que podem nos ajudar a compreender melhor quando estamos defraudando a nós mesmos.

Meu filho sempre pede para deixa-lo assistir um desenho animado no meu smartphone. Sempre digo a ele que só poderá assistir um desenho, e logo após terminar ele deverá me entregar o smartphone. Ele diz que sim. Porém, quando peço para ele devolver ele já está no terceirou ou quarto desenho, além de não quere devolver ainda fica irado. Muitas vezes tenho que discipliná-lo exatamente naquilo em que eu tive prazer de satisfazer seu desejo. O mesmo fazemos com Deus, muitas vezes ele tem prazer em nos abençoar dando para nós aquilo que pedimos, mas o desagradamos em não usufruir da maneira correta. Isto é defraudar a nós mesmos do devido uso e conforto da posição em que Deus nos colocou.

Um exemplo clássico é o de uma pessoa solteira que tem o desejo de se casar e pede isso para Deus em oração. Deus em sua bondade, graça e misericórdia abençoa esta pessoa para que ela possa encontrar alguém com quem poderá compartilhar suas alegrias, tristezas e desejos de servir a Deus a dois. Porém, quando este casal de namorado decide-se casar, eles precisam tomar decisões como o de escolher onde morar e como lidar com as despesas. Muitos pais estão defraudando seus filhos, com conselhos antibíblicos do tipo: “Por que vocês não vêm morar com a gente, assim não precisam pagar aluguel”, ou “Aluguel é um dinheiro perdido, vocês não terão retorno desse dinheiro jogado fora”.

O que a Bíblia diz sobre morar com os pais: O filho deve deixar pai e mãe e unir-se a sua mulher. Isso significa desligar-se de dependência financeira e espaço geográfico. Se isso não acontecer haverá uma dependência emocional e psicológica do casal na convivência com os pais, o que não é saudável, pois não é bíblico. Também poderá acarretar sérios problemas no futuro podendo chegar até um divórcio (Gn 2:24, Mc 10:7,8).

Suponhamos que este casal acabe aceitando viver conforme os conselhos de seus pais. Qual seria a dificuldade que este casal encontraria para servir a Deus voluntariamente em algum ministério na igreja? Veremos alguns exemplos mais adiante. Estes pressupostos são gravíssimos, pois este casal compreendeu que, o mais importante é o retorno financeiro (material), quando deveriam preocupar-se mais com o “retorno espiritual”, ou seja, construir passo a passo as bases espirituais do seu casamento de acordo com os pressupostos bíblicos, mesmo que isso envolva pagar aluguel, pois o que está em jogo não é o retorno financeiro, e sim a disposição em servir a Deus com obediência desde o início.

Alguns vão pensar em adiar o casamento para construírem suas casas, e acabarão violando o sétimo mandamento (Catecismo Maior de Westminster – 139; 1 Tm 5:14,15; 1 Co 7:36: sobre a demora indevida do casamento).

Outro problema, seria o trabalho demasiado. Se o objeto de vida deste casal agora está mais concentrado nos bens materiais, é certo que não terão disponibilidade e disposição de atuarem de forma voluntária em algum ministério na igreja. Pode até ser que este casal chegue a atuar no ensino bíblico na igreja, porém eles poderão estar furtando o direito de outras pessoas de receberem uma exposição bíblica verdadeira, pois quando chegarem nas passagens bíblicas de Gn 2:24 e Mc 10:7,8 eles poderão dizer coisas do tipo: “Os tempos hoje são outros”, “Isso é coisa daquela época, não se aplica em nossos dias”.   O próprio trabalho que Deus concede a uma vida se torna um meio pelo qual a pessoa deixa de se envolver nas atividades da igreja. Isto é defraudar a nós mesmos do devido uso e conforto da posição em que Deus nos colocou.

Muitas vezes Deus nos abençoa com a redução da carga horária de nosso trabalho para termos mais tempo com nossa família e ministérios na igreja, e usamos desse tempo para praticarmos iniquidades. Isto é defraudar a nós mesmos do devido uso e conforto da posição em que Deus nos colocou.

Outras vezes Deus nos abençoa com a chegada de novos membros para nos ajudar nos trabalhos evangelísticos da igreja, mas menosprezamos estas pessoas por nos acharmos únicos e capazes de cumprir esta missão. Isto é defraudar a nós mesmos do devido uso e conforto da posição em que Deus nos colocou.

Veja bem quais são as bênçãos que você tem recebido de Deus no trabalho, na família, na igreja e nos estudos e veja a forma como tem usufruído delas. Se não estiver usufruindo corretamente, você estará furtando os direitos de alguém e defraudando a si mesmo.

Algumas referências Bíblicas:

Havia um homem totalmente solitário; não tinha filho nem irmão. Trabalhava sem parar! Contudo, os seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza. Ele sequer perguntava: "Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me divertir? " Isso também é absurdo. É um trabalho muito ingrato!” (Eclesiastes 4:8)

“Pois vocês conhecem os mandamentos que lhes demos pela autoridade do Senhor Jesus. A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o próprio corpo de maneira santa e honrosa, não com a paixão de desejo desenfreado, como os pagãos que desconhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique a seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Portanto, aquele que rejeita estas coisas não está rejeitando o homem, mas a Deus, que lhes dá o seu Espírito Santo” (1 Tessalonicenses 4:2-8)

“Respondeu o Senhor: "Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada" (Lucas 10:41,42)

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