domingo, 26 de março de 2017

Precisamos de algo melhor do que o amor incondicional, precisamos do amor de Deus



É muito comum ouvirmos pessoas cristãs dizerem que Deus lida com seus filhos com o “amor incondicional”. Estas pessoas tentam, na maioria das vezes, expressar o quão generoso e completo é o amor de Deus. O amor incondicional pressupõe que Deus nos aceita como somos, sem esperar nada. Vivemos em uma sociedade “psicologizada”, até mesmo dentro das igrejas já é possível identificar músicas “psicologizadas” como: “Quero que valorize o que você tem, você é um ser você é alguém, tão importante para Deus”; “Existe um Deus que te ama do jeito que você é”; “Obrigado Senhor por aceitar como eu sou” e daí por diante.
Muito disso deve-se ao modelo de psicoterapia de Carl Rogers, chamado de Abordagem Centrada na Pessoa. O amor incondicional positivo promovido de Rogers pressupõe uma atitude de tolerância e afirmação que aceita tudo. O amor incondicional, como a maioria entende, começa e termina com simpatia e empatia, e aceita tudo. O amor incondicional é distante, geral e impessoal. O amor de Deus é complexo, específico e pessoal (David Powlison).
O amor incondicional traz consigo uma bagagem cultural. Esse amor é relacionado as palavras: tolerância, aceitação, afirmação, amabilidade, e ligado a uma filosofia que diz que o amor não deveria impor valores, expectativas ou crenças sobre outras pessoas. Esta filosofia já está infiltrada dentro da igreja e já tem contaminado corporações inteiras. Não é difícil de identificar. Vejo muitos colegas e entes familiares caminhando por um caminho de morte que sequer aceitam conselhos bíblicos, mas adoram estar com aqueles que os bajulam.
Andar no amor de Cristo é bem diferente desse “amor incondicional” (Ef 4:32-5:2). É muito diferente daquela paz superficial, onde todos dizem: “Para mim está tudo bem. Eu aceito você como você é, do mesmo modo que aceito todo mundo. Não julgo nem imponho meus valores sobre você”. O amor incondicional parece seguro, mas o problema é que ele não tem poder. Quanto atribuímos a Deus um amor incondicional, substituímos um ursinho de pelúcia pelo Rei do Universo (David Powlison).
Deus se importa demais conosco para ter amor incondicional. O Senhor se importa conosco, Ele vigia por nós. Seu amor é ativo, é misericordioso, não apenas tolerante. Ele odeia o pecado, contudo, busca os pecadores. Seu amor está cheio de sangue, lágrimas e lamentos. Ele sofreu por nós. Ele luta por nós e defende os aflitos. Ele luta conosco. Ele tem ciúme, não é insensível. Sua empatia e simpatia falam em palavras de verdade, para nos libertar do pecado e da miséria. Seu amor envolve disciplina, e isso é uma prova do amor verdadeiro. Em seu amor também existe ódio. Ódio contra a maldade que cometemos e que outros cometem contra nós.
O amor de Deus tem um alvo:

"Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Co 5:14,15).

Esse amor nos transforma. Esse amor nos restaura. O amor de Deus é um dom. Deus nos recebe assim como somos: pecadores, sujos, miseráveis e confusos. Não nos limpamos para sermos aceitos a Ele. A graça imerecida não é estritamente incondicional. A graça de Deus não depende daquilo que fazemos, a graça depende muito mais daquilo que Jesus fez por nós.
O amor de Deus na Bíblia requer o cumprimento de duas condições:

  •     Perfeita obediência e
  •     Um substituto que carregue o pecado

Jesus em sua obediência ativa à vontade do Pai, foi chamado “justo”. Em sua obediência passiva, Ele sofreu a penalidade da morte (Hb 5:8,9). De acordo com a psicologia humanista de Rogers, o conceito de “apreço positivo incondicional”, nos dá a entender que o amor incondicional é dizer que: “Lá no fundo você é bom; Deus o aceita exatamente como é. Deus sorri para você mesmo que você não salte obstáculos. Temos valor intrínseco (próprio). Deus nos aceita com verrugas e tudo mais. Podemos relaxar, gozar o seu sorriso e deixar que surja o verdadeiro “eu”, intrinsicamente bom” (David Powlison). Essa filosofia de vida é contrária ao verdadeiro amor de Deus.
Somente um filho foi chamado de justo. Somente uma pessoa agradou a Deus (Mt 3:17; Is 42:1-7). Somente em Cristo podemos ser chamados de justos. Somente em Cristo podemos ouvir que Deus se agrada de nós.
O amor condicional obviamente é ódio. Mas o amor incondicional segundo esses conceitos filosóficos é um engano. É o mesmo que dizer: “Paz, paz”, quando do ponto de vista de Deus não há paz (Jr 23:14-16). Esse amor não exige nada. Sequer ousa mencionar as palavras arrependimento e humilhação. Esse amor não conhece a agonia da cruz. Esse amor nos relaxa, nos deixa despreocupados. Esse amor não nos deixa conhecer o maravilhoso amor de Deus.
Deus não me aceita como eu sou. Ele me ama apesar de ser como eu sou. Somente em Cristo Jesus eu posso ser aceito por Deus. Deus quer que eu dedique a minha vida à renovação à imagem de Jesus.
Precisamos de algo melhor do que a amor incondicional. Precisamos do perdão, da coroa de espinhos, de um Pastor, Pai e Salvador. Precisamos nos tornar como Ele. Precisamos do amor de Cristo. Isso é possível, através da sua graça.


“ O teu amor, Senhor, chega até os céus; a tua fidelidade até as nuvens. A tua justiça é firme como as altas montanhas; as tuas decisões insondáveis como o grande mar. Tu, Senhor, preservas tanto os homens quanto os animais. Como é precioso o teu amor, ó Deus! Os homens encontram refúgio à sombra das tuas asas. Eles se banqueteiam na fartura da tua casa; tu lhes dás de beber do teu rio de delícias. Pois em ti está a fonte da vida; graças à tua luz, vemos a luz.
Estende o teu amor aos que te conhecem, a tua justiça aos que são retos de coração” (Sl 36:5-10)

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